Nostalgias: grandes carros do passado
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Fiata 500 com casal de namorados

Não são só os super-desportivos que nos fazem ficar a olhar, de queixo aberto, quando passam por nós. O mundo automóvel faz-se de extremos, e se por um lado cruzarmo-nos com uma dessas máquinas tem uma reacção semelhante a cruzarmo-nos com outros motivos de interesse, existem alguns que suscitam sentimentos de nostalgia capazes de gerar uma pequena lágrima de emoção. Seja pelas memórias de infância, seja pelo significado emocional que têm, ou apenas por causa daquele sonho secreto de ter um… há carros que têm essa capacidade de ocuparem sempre um lugar especial nas nossas preferências.

Ei-los.

Mini

Não há grandes argumentos: o Mini é “O” clássico por excelência, um dos carros mais populares de todos os tempos, um dos mais amados, e dos que mais fãs atrai em todo o mundo. O slogan diz tudo: “é tão giro ter um Mini!”.

A sua origem remonta a 1959, quando surgiu a ideia de criar um veículo pequeno com a performance dos grandes. Inicialmente foi difícil convencer a população inglesa, mas mal se aperceberam que o Mini era a solução para o problema do estacionamento, a popularidade subiu em flecha, tornando-se um verdadeiro ícone dos anos 60. Com apenas 3,05m de comprimento, 1,40m de largura e 1,35m de altura, aliado às linhas redondas e atraentes, seria difícil resistir.

Os Minis foram criados pela BMC (British Motor Company), e comercializados através de duas das suas marcas, a Morris e a Austin. Ao fim de apenas dez anos, o Mini tinha já vendido mais de dois milhões de unidades e conquistado o famoso e difícil Rally de Monte Carlo por três vezes. A motorização original, de 997cc continuava a ser a mais comum, apesar do famoso 1275cc do Cooper S.

Ao longo das décadas, foram surgindo novas versões, sobretudo a nível mecânico e de equipamentos, mantendo sempre o aspecto exterior que arrastou multidões. A produção terminou definitivamente no ano 2000, encerrando um dos mais importantes capítulos da história automóvel. Os fãs, esses mantêm a sua paixão bem viva, e existem várias associações de amantes de Minis. Em Portugal terá, por exemplo, o Clube Mini de Portugal.

Apenas um ano depois, a BMW retomou a lenda, adaptando-a aos dias de hoje. Agora um carro do segmento de luxo, perfeitamente equipado e com motorizações de alta qualidade, o novo Mini aparece bastante maior do que os seus antepassados, perdendo um pouco o efeito “mini” que esteve na origem do seu sucesso original. Ainda assim, as suas linhas elegantes e modernas fazem com que pareça mais uma homenagem ao mítico modelo do que o renascer do legado.

VW Beetle

Se esquecermos por breves momentos o Mini e o Ford T, este será, muito provavelmente, o carro mais famoso de todos os tempos, com a vantagem adicional que foi popular um pouco por todo o mundo, ao contrário do Mini que, apesar de amado nos cinco continentes, teve o seu pico de fama na Europa.

Curiosamente, o nome original deste Volkswagen era “Type 1”, sendo oficialmente denominado por “Beetle” perto de 30 anos depois da sua criação. O seu formato caricato levou a que cada país lhe atribuísse a sua própria alcunha: “carocha” em Portugal, “fusca” no Brasil, e claro, aquela que vingou, “beetle” um pouco por todo o mundo.

Nasceu na Alemanha dos anos 30, em pleno terceiro Reich – reza a lenda que o próprio Adolf Hitler foi o autor dos sketches preliminares que levariam à criação do Beetle – e foi o primeiro modelo da marca Volkswagen, desenhado por Ferdinand Porsche (fundador da marca homónima). A produção iniciou-se em 1938, tendo como objectivo ser o “carro do povo”, mas a Segunda Guerra Mundial desviou-o para uso militar, como transporte de soldados e oficiais.

O fim do conflito permitiu a explosão de popularidade, devolvendo o mítico veículo às massas, e generalizando a sua comercialização aos cinco continentes. Com o tempo, surgiram muitas outras versões e variações, mas o aspecto original sempre prevaleceu, acarinhado e apreciado por milhões de condutores em todo o mundo. Deu mesmo origem à popular série de filmes “Herbie” que, com o número 53, levou ainda mais longe este fenómeno de popularidade.

No final do século, a Volkswagen foi diminuindo a produção, até que em 2003 (altura em que apenas o México tinha linhas de montagem) se deu por terminado este capítulo, fechando as contas com mais de 20 milhões de unidades vendidas.

Nessa altura circulava já pelas estradas a versão actualizada deste modelo, o New Beetle.

O mito prevalece, e não é difícil encontrar outros fãs do Beetle: em Portugal, o Carocha Clube da Póvoa de Varzim promove anualmente um encontro internacional de aficionados; no Brasil, o Fusca Clube do Brasil é o local ideal para encontrar mais amantes do mítico carro.

Citroën 2CV

Não será, certamente, o carro mais belo de todos os tempos… mas parte do seu encanto passa precisamente por esse “pequeno pormenor”. O Citroën 2 Cavalos é dos mais célebres modelos da marca francesa, inspirador de vários outros modelos e, segundo consta, será o próximo clássico a renascer com linhas modernizadas.

A origem do 2CV é semelhante à do VW Beetle. Pretendia-se um veículo prático e simples que respondesse às necessidades da população trabalhadora: um carro útil, e não apenas de ostentação. Todos os pormenores do 2CV foram concebidos tendo estes conceitos em mente, alguns deles bastante caricatos: era crucial que pudesse transportar dois camponeses e uma carga de 100kgs, viajando a uma velocidade de 60km/h, e que conseguisse circular por caminhos lamacentos e atribulados sem danificar a referida carga. Adicionalmente, teria que permitir aos camponeses viajar de chapéu – e assim nascia o tecto removível em lona! Obviamente, teria também que ser suficientemente barato para permitir a sua aquisição pela generalidade da população.

O que é certo é que estes peculiares requisitos dotaram o 2CV de um conjunto de características técnicas e mecânicas que o colocaram ao nível de qualquer outra oferta da altura. Apesar de já terem sido concebidos alguns protótipos antes da Segunda Guerra Mundial, foi em 1948 que foi apresentado o primeiro modelo, mantendo-se em produção durante os 40 anos seguintes, até 1990 (curiosamente, a última fábrica a encerrar a linha de montagem foi a de Mangualde, em Portugal).

Renault 4L

Eternas rivais, independentemente das colaborações recentes, a Renault não poderia deixar passar a resposta ao popular 2CV da Citroën. Contudo, ainda demoraram 13 anos até fazer nascer a reacção: a velhinha 4L.

O posicionamento deste automóvel era bastante semelhante ao do “dois cavalos”, e mesmo a nível estético é possível identificar algumas semelhanças: um carro prático, espaço e resistente, capaz de aguentar os desafios do quotidiano. Nas primeiras versões, nem faltava o tecto em lona! Mas rivalidades à parte, a Renault 4L constituiu um marco para a história do fabricante francês, tratando-se do primeiro veículo com tracção dianteira que alguma vez fabricaram.

Revelado no Salão Automóvel de Paris de 1961, com pompa e circunstância, era inicialmente baseado num motor de 750cc de três velocidades, largamente baseado no do Renault 4CV (resposta da marca ao VW Beetle), o que explica o “4” no nome deste modelo. E claro está, a pergunta que tanta gente se fez durante décadas: o que significa o “L”? Simples: “luxo”. Porque era isso que este modelo significava, um luxo ao alcance de qualquer pessoa, independentemente do seu nível social ou da profissão.

Ao longo dos 32 anos que se manteve em produção, o design tão característico manteve-se sempre inalterável, fiel ao aspecto original do início dos anos 60. Viria a ser substituída pelo Renault Twingo, mas tão cedo não sairá das memórias de muitos, fazendo que se seja impossível deixar de olhar duas vezes quando nos cruzamos com uma…

Fiat 500

Se achava o Mini pequeno, que dizer do Fiat 500? Com menos de 3 metros de comprimento, escassos 1,32m de altura e largura, e apenas 499kgs de peso, é dos veículos mais pequenos jamais feitos… e ao mesmo tempo dos mais adoráveis.

Esta pequena peça (que por vezes dá vontade de usar como porta-chaves) surgiu no mesmo contexto que veículos como o Mini: um veículo fiável e de qualidade e com dimensões reduzidas. É, contudo, anterior à criação britânica: o primeiro modelo data de 1957, com um motor de 479cc e apenas 13CV. Ao longo dos 18 anos que se manteve em produção, foi alvo de 6 gerações diferentes, e uma das principais características das gamas iniciais eram as portas invertidas. A evolução sempre se processou mais a nível de pormenores técnicos, com a essência deste modelo a manter-se ao longo do seu tempo de vida.

Viria a ser substituído nos anos 70 pelo Fiat 126, um outro modelo igualmente histórico, mas que não gozou do mesmo sucesso que o 500 – de facto, não há amor como o primeiro. Em 1991, surgiu uma primeira tentativa de recuperação do mito, com o Fiat Cinquecento, mas sem o sucesso de outrora. Mais recentemente, em 2007 (2008 em Portugal) foi lançada uma recuperação mais fiel ao original, repetindo o nome da primeiro geração, Fiat 500 Nuova.

Porsche 911

Por entre marcas como Fiat e Citroën, a Porsche parece ligeiramente deslocada. Mas não falamos de um Porsche qualquer: falamos do modelo mais mítico da marca alemã, um verdadeiro símbolo desportivo da história automóvel, um grandioso clássico que tem já perto de 50 anos de idade. O Porsche 911 é, numa palavra, lindo.

O primeiro modelo data de 1964, e ainda hoje são produzidos modelos com essa denominação comercial. Contudo, o verdadeiro Porsche 911 saiu de produção em 1989, sendo sucedido por outros modelos semelhantes, mas com códigos internos diferentes – o actual é, por exemplo, o 994.

Falando especificamente desse “autêntico” 911, caracterizou-se pelo seu motor e tracção traseira, com linhas desportivas bastante atraentes mesmo nos padrões actuais. Num mundo em que abundam as ofertas das diferentes marcas, em que a competição é feroz e qualquer falha é fatal, este Porsche foi um verdadeiro vencedor, sendo considerado por muitos como o melhor carro desportivo de todos os tempos – a ele se deve a imagem e o prestígio da marca que se arrasta até à actualidade.

As primeiras motorizações tinham 1991cc, com 120CV. A mesma geração oferecia pouco depois ainda mais potência, chegando mesmo a uns impressionantes 160CV. O Porsche 911 Turbo, lançado em 1974, incluía mesmo versões com 3.3cc e 296CV! A última geração, a 3.2 Carrera, durou até 1989, e foi a que verdadeiramente celebrizou o nome “Carrera”, e que hoje é sinónimo de topo de gama – com o Porsche Carrera GT, um verdadeiro carro de sonho.

As gerações seguintes actualizaram as linhas clássicas do 911, e com o tempo foi-se afastando cada vez mais do original. O actual Porsche 911, com nome de código 994, permite identificar o legado do seu antecessor, mas por outro lado percebe-se também que já se trata de um veículo diferente.

Vencedor de inúmeras provas e campeonatos, é um veículo que não só fica para a história, como também a escreve.

Menção honrosa: Toyota Corolla

Em produção contínua desde 1966, o Toyota Corolla já vai na sua 10ª geração (com uma nova anunciada para 2009). Vendido em mais de 140 países, tem sido desde 1969 o carro mais vendido no Japão, em cada ano, desde 1969 (exceptuando 2001 e 2002). Não se tratando de um clássico ao nível dos restantes modelos nesta lista, merece esta menção honrosa por um “simples” motivo: é o carro mais vendido de sempre!

A primeira geração, de 1966, tinha uma potência de 66CV na motorização base de 1077cc. Com tracção traseira, este pequeno utilitário veio responder na perfeição às necessidades do público, e desde logo foi exportado para Estados Unidos e Austrália, enfrentando a feroz competição dos “muscle-cars” que celebrizaram essa década. Os anos 70 receberam as três gerações seguintes do Corolla, baseadas em evoluções naturais a nível do chassis e sobretudo das motorizações, que com a quinta geração, de 1983, atingia já os 121CV num motor 1,6 a diesel (no topo de gama). Esta foi também a primeira geração a ser amplamente comercializada na Europa, e a abandonar gamas exclusivamente baseadas na tracção traseira (os E.U.A. receberam mesmo um modelo com tracção às quatro rodas).

A popularidade do Toyota Corolla foi crescente, sobretudo com a imagem de ser um carro prático, consistente e, sobretudo, útil para as necessidades do quotidiano. As linhas foram abandonando a rigidez típica dos anos 70 e 80, assumindo contornos mais arredondados, até chegarmos à 10ª geração, lançada em 2006, com um aspecto bastante atraente e moderno.

As constantes actualizações impedem que as gerações anteriores se elevem à condição de mito, mas dado o impressionante currículo do Corolla e os números de venda que tem atingido ao longo de quatro décadas, não há dúvidas que temos em mãos um potencial clássico, que conta já com diversos clubes de fãs um pouco por todo o mundo.

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