Tenerife 1977: a história do pior acidente de aviação de sempre
Partilhar
0 Partilhas

Considerado o maior acidente da história da aviação em todo o mundo, o desastre de 1977 aconteceu no pequeno Aeroporto de Los Rodeos, em Tenerife, e envolveu mais de 600 vítimas, entre mortos e feridos. Conheça a história, as causas e as consequências deste desastre.

O que é um acidente aéreo?

A utilização de aeronaves para transporte de pessoas e mercadorias tem como risco inerente e real a eventualidade de ocorrência de um “acidente aéreo”. Esta situação é justamente definida pela Convenção Internacional de Aviação Civil como um evento que está inevitavelmente associado à operação de um avião ou aeronave e que pode ocorrer entre os momentos de embarque e desembarque.

Mesmo estando os aviões desenvolvidos para minimizar as hipóteses de falha e os pilotos treinados para reagir em momentos críticos, todos sabemos que os acidentes aéreos continuam a ocorrer anualmente. Muitas são as pessoas que manifestam medo ou pânico deste meio de transporte, exatamente porque as possibilidades de sobrevivência num acidente deste género são extremamente reduzidas.

Ainda assim, as estatísticas apontam o avião como o meio de transporte mais seguro do mundo, devido ao reduzido número de acidentes, na maioria das vezes resultantes de erro humano (53%) ou de falhas estruturais (21%).

O pior acidente da história da aviação: quando e como aconteceu?

Recentemente, passou-se a apontar a colisão dos dois aviões com o World Trade Center, em Setembro de 2001, como a maior catástrofe aérea de todos os tempos. No entanto, por não se ter tratado verdadeiramente de um acidente, e sim de um atentado planeado, entende-se que não possa ser considerado como tal. Desse modo, continua a ser apontando, como maior acidente da história da aviação, o desastre que aconteceu em 1977, em Tenerife.

A história deste acidente começou a desenhar-se no Aeroporto de Las Palmas, localizado na ilha de Gran Canária (Espanha). No decorrer de um atentado bombista (que se revelou falhado), fizeram-se explodir duas bombas no aeroporto. Era domingo, dia 27 de Março de 1977. A gare e o tráfego aéreo foram encerrados durante cerca de duas horas, o que fez com que todos os voos com destino a Las Palmas fossem desviados para o Aeroporto de Los Rodeos, na ilha vizinha de Tenerife.

À data, as ilhas espanholas eram destino de eleição de milhares de turistas, razão pela qual o aeroporto de Tenerife depressa se viu completamente lotado e sem meios para responder devidamente à ocasião. Para libertar a pista, entendeu-se que dois aviões de grande porte deveriam descolar de imediato. Tratava-se de dois Boeings 747: um pertencia à holandesa KLM e tinha a bordo mais de 230 pessoas, o outro era da companhia americana Pan Am e transportava cerca de 380 passageiros, fora a tripulação.

De acordo com o que se sabe, exatamente nos mesmos instantes, ambos os pilotos receberam indicação para descolar, por parte da torre de controlo aéreo. A pista estava coberta por um nevoeiro cerrado e os pilotos acabaram por não se aperceber das movimentações do avião da outra companhia. Às 17:06 locais, quando o piloto do avião da KLM avistou o avião da Pan Am, já não foi a tempo de evitar a tragédia. O Boeing americano dirigia-se para a saída C4 a toda a velocidade. Numa tentativa desesperada de evitar a colisão, o KLM subiu cerca de 20 metros, mas o trem de aterragem e a parte da fuselagem colidiram na parte lateral do outro 747, cortando-o ao meio. O choque causou uma explosão e um enorme incêndio. Poucos foram os sobreviventes da catástrofe.

Vítimas e causas do desastre

O desastre aéreo ocorrido em Tenerife, no Arquipélago das Canárias, em Março de 1977, causou a morte de 583 pessoas. Apenas 61 dos passageiros do voo da Pan Am escaparam com vida, embora feridos. Até à data, este é o acidente da aviação mundial com o maior número de vítimas.

Só uma incrível conjugação de fatores como a que se deu naquela tarde de domingo, poderia fazer com que dois dos mais evoluídos aviões da época chocassem em plena pista do pequeno Aeroporto de Los Rodeos. Dizem os entendidos que tal desastre teve origem no cerrado nevoeiro que cobria a pista, em equívocos de linguagem entre a torre de controlo e os pilotos e em diversas falhas humanas, fatores que foram potenciados pela ineficácia de reação à situação de ameaça que estava a acontecer.

Este acidente ficará para sempre marcado na memória espanhola, mas também na história da aviação. Desde esse dia, a segurança na aviação mundial transformou-se por completo e vários procedimentos foram criados de forma a evitar que situações semelhantes se possam repetir.

Cromossoma Y